sábado, 9 de junho de 2012

IMÓVEIS NANICOS, ELETRODOMÉSTICOS GIGANTES.





Uma coisa me chama a atenção. Nos grandes centros as construtoras estão cada vez mais investindo em plantas de apartamentos que privilegiam os espaços de varandas e "comem" o máximo possível das salas, quartos e, principalmente banheiros, cozinhas e áreas de serviço. Aliás, cozinha e área de serviço são tudo uma coisa só. Ou melhor, a área de serviço é um canto da cozinha. E se nesta última mal cabe o mínimo necessário para uma família (pia, fogão e geladeira - nem falo em armário...), na primeira só existe um tanque, espremido entre uma janela e uma meia-divisória de mármore. Tá ok. tem que maximizar o espaço disponível de terreno pra poder caber mais gente por metro quadrado e blá, blá, blá.
Só queria entender o seguinte: se não há espaço pra nada nestes apartamentos (sempre apregoados como de altíssimo luxo e conforto) por que cargas dágua os fabricantes de máquinas de lavar a cada dia lançam novos produtos sempre maiores e que não entram em lugar nenhum? Só se encontram máquinas com capacidade para 10, 12 quilos de roupa, que são imensas. Eu mesmo sou um que adoraria uma máquina (sem essa de "tanquinho elétrico") que lavasse três quilinhos, que fosse automática, que centrifugasse e que fosse bem pequenininha, de modo a "encaixar" no micro espaço do meu apê. Cadê? Não tem. Pombas! Se os imóveis são "tipo pequeno", por que os eletrodomésticos são "tipo grande"? Até as famílias estão ficando reduzidas, sem aquela filharada enorme do tempo dos nossos avós. Pra que máquinas de lavar tão grandes? Abaixo os gigantes brancos! Eu quero uma máquina de 3 quilos!!!

domingo, 27 de maio de 2012

Um tube screamer na sardinha.

Parece até que eu vou abrir uma loja ou fábrica de pedais. Quem dera! É só passatempo mesmo.
É muito legal quando a gente pega algo pra fazer que tem certeza que não vai conseguir. Principalmente porque nunca houve talento pra isso. Mas, no fundo, tem aquela coisa assim: "Pô, é só seguir uma receita! Até um caramujo reumático faz isso!"
Como nunca funciona de primeira, passei a respeitar mais os caramujos. Até os reumáticos.
O lance da vez é um Tube Screamer, modelo réplica do TS9. Pra quem quiser saber onde eu busco estes esquemas, não tem mistério. É no site da Tonepad, www.tonepad.com , onde tem uma lista bem grande de pedais de efeito para qualquer fazer por si mesmo. Eles também vendem placas de circuito impresso já prontas (ótima qualidade, por sinal), mas também fornecem o layout em pdf, já na escala real, pra vc imprimir e gravar no fenolite. Como faz isso? Ah, dá uma busca no gúgou que tem toneladas de tutoriais sobre isso, ensinando bem direitinho. Eu aprendi, então qualquer caramujo aprende.

Voltando ao assunto do TS-9. É uma réplica de um pedal muito cultuado da Ibanez. Confesso que eu tento, tento, mas cada vez mais me convenço que distorção, pra mim, é tudo muito parecido. Mas se os especialistas dizem que é ótimo, é ótimo e ponto. Mas dá pra perceber umas coisinhas: eu achei o TS-9 mais light que o RAT, que quando a gente bota "no talo" ruge bem forte. O TS9 é bem bom mesmo, e não chega a fazer uma distorção tipo hard-metal-of-the-hell. Deve ser muito legal se plugado num ampli valvulado (o meu é um cubo que eu nem posso passar do segundo ponto, senão a turma de casa reclama, sem falar nos vizinhos).
A montagem correu quase tranquilamente. O maior problema foi resolver alguns detalhes dos componentes. Coisa de quem não manja mesmo muito do assunto. O esquema, por exemplo, pede dois capacitores de 1uF Não Polarizados. Só que a gente não acha isso nas lojas. Aí descobri que podia "fazer" um, juntando dois capacitores polarizados (eletrolíticos comuns) de 2,2uF pela perninha negativa, espetando na placa as outras duas perninhas positivas. Achei esquisito, mas fiz assim. Também não encontrava os tais capacitores de 0,22uF de tântalo! Pesquisando na internet descobri que o pessoal que passou pelo mesmo problema resolveu isso da maneira mais óbvia: trocaram por outros capacitores de qualquer tipo, mantendo a medida. Ou seja, cagaram pro lance e seguiram em frente. Depois de tentar "fazer certinho" também dei meu jeito e acabou funcionando. Ah, o de tântalo eu troquei por eletrolítico normal.



O outro problema que encheu o saco - aliás, sempre enche o saco em todos os pedais - foi a colocação dos fios (pros jacks, potenciômetros, botão de pisar, etc.). Isso porque fica uma maçaroca de fios e depois fica horrível pra enfiar tudo dentro da caixa (no meu caso, uma lata de sardinha). Um dia ainda descubro um jeito de fazer uma fiação arrumadinha, pequenininha e bunitinha. Por enquanto ainda sou bem lambão. Olha só a foto aí:














Pelo menos a qualidade da minha solda melhorou muito. Aproveita e olha como a impressão da placa licou legal.













Por fim, tudo foi entulhado na lata de sardinha, coitada. A pior coisa de usar a lata de sardinha é resolver uma maneira de fechar o fundo. Nada que eu tentei ficou bonito. Tem sempre que usar uma fita adesiva, o que deixa muito feio. Mas é o que eu consigo pensar como solução. Se alguém tiver uma dica legal, posta aí. Assim que eu conseguir uma caixa melhor, com um pouco mais de espaço, eu troco.






É isso aí. O próximo da lista é um MXR Plus e depois um Chorus. Aí chega. Meu setup vai estar completo e quem sabe eu não consigo aprender a tocar o raio da guitarra direito?


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Outro pedal. Ihh, essa coisa pega...

Animado com a experiência de fazer o RAT, resolvi ir mais fundo um pouco. E o prato da vez foi um delay digital, só que agora preferi encomendar uma placa de circuito impresso já pronta da Tonepad (www.tonepad.com). Confesso que foi mais pela curiosidade de saber como é que seria uma placa feita por eles, comparada com a que eu estava fazendo, com meu laboratório caseiro. Afinal não devia ser tão fiderente assim.

Mas é. E muito. A placa deles é tipo sanduíche, de modo que as trilhas ficam entre as duas superfícies. Em um lado aparece só os pontos de soldagem (os furinhos cercados por anilhas de metal) e no verso os desenhos dos componentes. Tudo coberto por um tipo de laminado (ou verniz, sei lá) no qual a solda não gruda. Conclusão óbvia que quando se vai soldar os omponentes, mesmo que você seja um zero à esquerda em habilidade, não tem como errar na solda. Fiquei besta de ver como a soldagem é fácil com este tipo de placa. Genial.






Fácil e rápido. Num instantinho consegui montar todos os componentes, sem erro.
A única desvantagem é o tempo que leva entre a gente encomendar a placa e ela chegar. Neste caso foram quase trinta dias. E esperar é dose!
Depois de montada a placa e a fiação de jacks, pedal e botões, chegou a hora de botar tudo em uma caixa. O que aliás sempre me parece a pior parte. Primeiro porque acho muito caro o preço que se cobra por aí pelas caixinhas metálicas próprias para pedal. Entre 25 e 40 reais, dependendo da loja. Aí mata a vantagem de você encarar o desafio do handmade. Acabei fazendo o que a maioria dos amadores de garagem faz: inventei. Mas só consegui encontrar à mão as prosaicas latas de sardinha.
Dá uma certa mão de obra, mas rola.


 Fiação eu preparei antes de montar na caixa

 Tudo muito apertadinho na lata de sardinha.

O fundo é a frente.

Depois tem que arrumar algo pra fechar o outro lado. Eu procurei e testei vários materiais e nada deu certo. Foi aí que desisti e resolvi tentar outra coisa: uma caixa de luz Tigre (daquelas amarelas de embutir em parede) que meu amigo Edson me arrumou, com uma tampa de metal.
Ficou melhor, mas ainda tosco, porque a caixa é rodeada de furos com uma "moedas" que os fecham. É bem frágil. Para contornar em colei um pedaços de plástico por dentro com bonder.
O tempo dirá se foi uma boa tática.

Quando tiver umas fotos dessa alternativa eu posto.

Agora, quanto ao som do efeito. MUITO FERA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! É uma delícia de delay. Para quem quiser eu recomendo. Eu batizei o pedal de Papagaio Elétrico. Já tenho um Peixe Elétrico (um mini amp para poder estudar a guitarra de noite ligando o instrumento direto num headphone) e um Rato Elétrico (o RAT, que eu já postei); o zoo tá aumentando.

Eu usei o modelo Rebote2 Delay, mas já soube que o modelo 2,5 é tão bom quanto ou melhor. Não sei, mas acho possível. O que eu posso garantir é o que eu tenho. Não dá pra se arrepender. É muito bom mesmo.

Acho que meu pedalboard vai ser só de handmade mesmo. Gostei da brincadeira.

sábado, 12 de maio de 2012

PRA QUEM GOSTA DE MÚSICA COM DISTORÇÃO

MEU PRIMEIRO PEDAL

Bem... Quase quatro anos depois, resolvi contar alguma coisa.
Cismei que ia construir um pedal de distorção pra mim. Dois motivos: queria um (e acho caro demais comprar por aí) e queria vencer um desafio, que era soldar alguma coisa direito. Porque as soldagens que eu já tinha tentado fazer durante toda a minha vida eram sempre bisonhas: bolotonas de solda que não grudavam nada com nada.
Comecei a estudar as informações disponíveis na internet (sites de música, de eletrônica, vídeo-aulas no Youtube, foruns de discussão, apostilas, dissertações de cursos de especialização, etc.). Até que achei que estava em  condições e caí dentro!
Comprei material para  fazer placas de circuito impresso, componentes, ferramentas, tudo, tudo. 
Montei tudo diretinho de acordo com as regras e as boas práticas. 
Dia de glória. Terminei o pedal, um RAT super maneiro. Liguei o bichinho e ... nada.
Joguei tudo pro lado e fui fazer outra coisa da vida.
Dia seguinte, menos irritado, deu vontade de ver se achava o que estava errado. Hummmm... Melhor não perder tempo e começar logo a fazer um novo, com atenção redobrada. É. Melhor mesmo.
Fiz nova placa, instalei novos componentes, montei a fiação toda, testei e... nada. Mesmíssima coisa.
Aí foi foda! 
Soquei tudo numa caixa e resolvi que ia desistir. Afinal o melhor mesmo era comprar um pedal já prontinho, testado e funcionando. Pensando bem, nem era tão caro assim... 
Horas depois estava com o protótipo na mão, uma lupa na outra e decidido e investigar até as últimas consequencia para encontrar o defeito. E consegui. Era uma besteira de solda mal feita num componente e um curto numa trilha, que a solda invadiu sem querer. Testei e FUNCIONOU!!!.  Êba! Funcionou mesmo.
Depois começou a luta de arrumar uma caixa pra botar aquele monte de fios e botões.
Desisti da lata de sardinha, porque seria muito pequena. Resolvi experimentar uma daquelas caixas de metal onde se colocam as tomadas da parede, quando a instalação fica aparente (chamam de condulete).
Levou uma tarde inteira pra furar e arrumar, mas no fim ficou legal. Tem umas fotos aí embaixo.








Se eu tiver saco, um dia vou bolar uma arte pra botar nessa caixa. 
Esse pedal é uma sonzeira!!!

Detalhe importante: no geral, calculo que me custou cerca de 35 reais, incluída a caixa de condulete e não considerando quanto vai custar a fonte ou uma bateria de 9V. Valeu muito à pena.